segunda-feira, 28 de novembro de 2011

EMANCIPAÇÃO POLÍTICA

Em 21 de junho de 1948, Antonio Mena Gonçalves já se interessava pelos distritos de Taveira e Corguinho, apresentando na Assembléia Legislativa de Mato Grosso requerimento solicitando a reconstrução de uma ponte sobre o rio Aquidauana que ligava os dois distritos.
Com a diminuição dos achados de diamantes no distrito de Taveira, a exploração foi decaindo, facilitando a emancipação política, até para manter a sobrevivência dos que aqui ficaram residindo, uma vez que os garimpeiros normalmente se fixavam onde o garimpo dava lucro, causando a estagnação do promissor distrito de Taveira.
Os que ficaram voltaram sua atenção para a agricultura, pecuária extensiva e extração da madeira.
Em 26 de outubro, o Presidente da Assembléia Legislativa do Estado de Mato Grosso Waldir dos Santos Pereira promulgou a lei que autorizava a desapropriação de uma área de 3.208 hectares de terras particulares para serem anexadas à área do patrimônio da povoação de Taveira.
Lei nº 76/48 de autoria do deputado Antonio Mena Gonçalves; trocou o nome de Taveira para Rochedo.
Em 18 de  Outubro de 1948 foi publicada no Diário Oficial do Estado de Mato Grosso, com o nº 76/48, ficando assim  determinada oficialmente a mudança do nome Taveira para Rochedo, distrito de Campo Grande situado às margens do rio Aquidauana.
Em 29 de setembro de 1948 deu entrada na Assembléia Legislativa o projeto de lei nº 105/48 que emancipava o distrito de Rochedo, tornando-o município. O texto original do projeto passa por algumas modificações.
Nos dias 11,12 e 13 de novembro de 1948, aconteceram três votações necessárias para a provação da criação do município de Rochedo.
Em 16 de novembro de 1948 a Assembléia Legislativa do Estado de Mato Grosso promulgou a lei que criou o município de Rochedo, determinando os seus limites, bem como criando os distritos de Corguinho, Baianópolis e Fala Verdade.
Em 18 de novembro de 1948 o presidente da Assembléia, deputado Penn de Moraes Gomes, encaminhou ao Governador do Estado de Mato Grosso, Arnaldo Estevão de Figueiredo, a Lei nº 204/48, aprovada por aquela Casa, para que fosse publicada no Diário Oficial do Estado, o que aconteceu em 23 de novembro de 1948.

FONTE DO TEXTO: BARBOSA, J.C. Rochedo: capital do diamante. Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul: 2009.




OS PREFEITOS

1948-1949: Manoel Vieira Neves (nomeado)
1949-1950: Albino Coimbra
1950-1952: Theóphilo Massi
1953-1956: José de Souza Brandão
1957-1960: Júlio Honostório de Rezende
1961-1964: José Carrilho de Arantes
1965-1967: Nélson Evangelista de Souza
1967-1969: Altino Pereira Dias
1970-1972: Laerte Rodrigues de Almeida
1973-1976: Antenor Ferreira dos Anjos
1977-1982: Heleodoro Ferreira de Almeida
1983-1988: Francisco de Paula Ribeiro
1989-1992: Adão Pedro Arantes
1993-1996: Francisco de Paula Ribeiro
1997-2000: Edileuza de Andrade Lopes Dias
2001-2004: Edileuza de Andrade Lopes Dias
2005- 2012: Adão Pedro Arantes
2013-2016: João Cordeiro
2017-2020: Francisco de Paula Ribeiro Junior






 

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Relato da Profª Valdeir - Parte I

Meu nome é Valdeir Teixeira Costa, nasci em 1962. Faço parte de um grupo seleto de pessoas que tem em seus registros “nascido em Rochedo”.  Creio que de uns trinta ou quarenta anos pra cá não se tem notícias de um rochedense nascido aqui.  Aqueles que se dizem ser, o fazem por morar na cidade e não por serem registrados aqui.
Só para terem uma idéia, sou da época em que o centro residencial e comercial da cidade era nos arredores da antiga escola, denominada então Escola Reunidas de Rochedo. As tradicionais festas que aconteciam aqui, muito raras por sinal, eram realizadas num local que os moradores cobriam com palhas, num espaço de chão batido quase em frente da citada escola. Nessa época eu tinha por volta de três anos de idade e me lembro muito bem da poeira levantando, outras coisas tenho apenas vagas lembranças. Minha casa era em frente à escola e o maior comércio, que era a Casa Japonesa da Dona Hiromi, era na esquina bem próxima.
As festas comemorativas que aconteciam na escola eram um sonho para mim, mas eu não podia me matricular porque não tinha idade. Como tinha uma grande capacidade de decorar textos, era convidada a “recitar” poesias. Minha mãe era quem lia os textos e ensaiava os gestos comigo. Eu com aproximadamente cinco anos arrasava no palco. Tanta foi minha insistência em estudar que me deixaram entrar na escola como ouvinte, na sala da professora Valci Souza Marques no 1º Ano A.
O “point” dos finais de tarde e finais de semana eram o banhos de rio. Era uma praia linda que desapareceu com aquele paredão. Ali se aprendia a nadar com cinco anos. O que acontecia de brincadeira e de briga não dá para descrever.

Relato da Profª Valdeir - Parte II

Com a morte da minha mãe tive que me ausentar por um tempo. Quando retornei achei tudo muito mudado. As festas não eram mais no barracão de chão batido, passaram a ser realizadas no Clube onde hoje funciona a creche. Estudei até o terceiro ano (hoje 3ª serie) na antiga Escola Reunidas, o 4º ano fiz no colégio “amarelo” como era chamada a Escola Albino Coimbra. O diretor era seu Iroci Odacura, marido da Dona Iromi, era durão e quando organizava os desfiles falava uma vez só. Quem errasse já sabia que a bronca era em público. As comemorações da escola eram grandes eventos. Tinha teatro, fanfarra que comandava o desfile do dia 7 de setembro, o Grêmio Estudantil era muito ativo e as disputas eram verdadeiras campanhas eleitorais dentro da escola. Os candidatos iam pedir votos nas salas com propostas que tinham como objetivo convencer o eleitorado estudantil. Sempre fiz parte é claro.
A festa do Santo Padroeiro que acontece no dia 06 de agosto, naquela época permanecia por dez dias consecutivos. Para quem passava o ano naquela pasmaceira era um verdadeiro Rock in Rio de Rochedo, um Rock in Rochedo. As moças desfilavam os modelitos e o namoro era sempre pressagio de casamentos. Os leilões de galinha e porco assados eram intermináveis, o povo comia ali mesmo e ninguém se importava com nada. Perfume da Natura não circulava na época. Em dias normais a energia elétrica era apenas das seis da tarde às dez e meia da noite. Nem um minuto a mais. Quem estudava à noite tinha que apressar o passo senão chegava em casa  no escuro e tinha que ir tateando até encontrar um lamparina. Nos dias de festa a energia ia até o horário do término da festa. Creio que era no máximo três da manhã. Sempre começava às vinte horas.O gostoso era comprar suspiro colorido no bar da Maria sem Troco. Aqueles que tinham umas bolinhas coloridinhas em cima. Era como os Skines de hoje em dia.
 Quem terminava o antigo ginásio aqui ficava sonhando em ir para Campo Grande fazer o segundo grau e faculdade. Nas férias os mais velhos que já estavam na capital vinham pra Rochedo e era uma festa. Passávamos o tempo todo tomando banho de rio, fazendo serenatas e andando por essas fazendas. Nesse meio estavam os Professores Ataidinho e Rosa Helenita, João Teixeira e outros. Vinha também o cantor Béko Santanegra e era ele quem ficava cantando na praça que na época era um gramado lindo.
As mudanças são invitáveis, mas as lembranças são a história. Talvez eu permanecesse por longas horas rememorando cada minuto desse tempo que para mim foi maravilhoso, mas isso fica para um livro...quem sabe.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Relato da Srª Helena Teixeira - Parte I

Helena Teixeira Gomes, brasileira, mato-grossense, nascida em Rochedo/MS, filha de Raimundo José Teixeira e Ana Gomes de Azevedo, ele era baiano, e minha mãe mineira, tenho mais 7 irmãos todos nascidos aqui em Rochedo, na época todos nascidos com parto feito por parteiras, não havia posto de saúde e a acesso a Campo Grande era muito difícil, estradas ruins e poucos meios de transportes, somente caminhões, mas tarde pela década de 1950 colocaram uma jardineira mista, metade para passageiros sentados e metade carroceria para cargas e ainda depois um ônibus pequeno que tinha o nome de Baroneza, o que foi motivo de muita alegria para as pessoas deste município.
A população no inicio do povoado vieram todos de outros Estados, como: Bahia, Minas Gerais, Pernambuco, Paraíba, Goiás e outros. As ruas não eram asfaltadas, havia muita areia, uma camada de uns 30cm de areia, mais tarde foram encascalhadas. As rua Drº Arnaldo Estevão de Figueiredo passava no meio da praça atual. Naquela época não tinha a praça, havia uma igrejinha de alvenaria e um cruzeiro grande, o nome da Igreja era Senhor Bom Jesus da Lapa, construída por uma senhora que se chamava Maria, o povo chamava-a de Maria da Igreja, a mesma fez uma promessa que se pegasse um diamante construiria uma Igreja, e assim foi feito, ela pegou um diamante e construiu a igreja.
Como aqui era um município de muitos diamantes, as pessoas que não eram garimpeiros costumavam colocar um garimpeiro (chamavam de meia-praça). A pessoa que não era o garimpeiro, fornecia alimentos ao garimpeiro por uma semana, e repetia toda semana enquanto estivesse mantendo o mesmo, se pegasse diamante seria vendido e dividia o valor com o meia-praça e o fornecedor.
Rochedo era bem pequeno, no comércio os comerciantes da época eram João Abdo, Yshikawa, Kazuê, Yamashita, Joaquim Vieira (conhecido como Joaquim Preto), Issa Nahas, Joaquim Queiroz, Buriti, Manoel dos Anjos, Izabel Madureira, Antônio Lúcio, e mais tarde, Ramão Daige, Oscar Barbosa Souto e depois outros mais. Havia duas pensões de Vitalina Ramos e Evangelina Vieira; duas farmácia de Amâncio de Souza e Afonso Araújo Passos.
A ponte do rio Aquidauana era de madeira  e ficava na rua onde hoje moram a D Valci e o Srº Osvaldo, a rua Drº Arnaldo Estevão de Figueiredo terminava logo depois do comércio do Srº Rogério. Onde hoje é a ponte de concreto, só havia mato na beira do rio, o terreno da D. Andrelina chegava até no rio, e no sentido contrário a rua Drº Arnaldo terminava na D. Nilza.
A rua Joaquim Murtinho, do lado Norte terminava na cada da D. Andrelina; a rua Campo Grande só ia até o campo de futebol, ali em volta era tudo mato, começava desde aqui a Polo, a quadra da casa da Edi, havia muitas frutas: guavira, mangava, marmelos, pitanga, araçá e outras mais. A rua Bahia só ia até o campo de futebol, pra frente não tinha casas, só mato; para ir até o cemitério, ia pela Joaquim Murtinho, a entrada era pelo lado de baixo. A rua Joaquim Murtinho era a única da época, que ainda é como hoje, pouca diferença; a chegada e a saída para Campo Grande era por ela, passando pelo lageado, pela fazenda Federação, Jatobá e seguia em frente; haviam estas chácaras que ainda tem hoje, a partir da D. Maria Benzedeira, depois da D. Rosa, as chácaras eram dos dois lado até no lageado.

Relato da Srª Helena Teixeira - Parte II

Onde hoje é a Av. Evangelina Vieira, era um campo de aviação, uma pista de 800 metros de comprimento, chegou posar até avião de 2 motores; do lado havia uma cancha de corridas de cavalos (a hípica da época), as pessoas marcavam o dia das corridas, era uma diversão, muito participativa, a maioria faziam suas apostas, aqueles que ganhavam ficavam alegres, outros perdiam.
A primeira escola  daqui era onde hoje é a casa do Sr. Osvaldo, a cobertura da escola era de zinco. O primeiro professor foi Inocêncio de Souza, depois tivemos a Escola Reunidas, que ainda hoje temos o prédio, o qual foi tombado,eram  os professores : José Amâncio, Vicencia Bezerra de Souza, Afonso de Araújo Passos, Carmezinda Souza Passos, Filomena, Maria Ramos, Elza Abadia de Oliveira, Maria José, Izaura, Laura e muitos outros;  depois mais duas salas de aula, na rua Drº Arnaldo, onde estava funcionando a Agência Fazendária. O ensino era de 1ª a 4ª série, quem terminava teria que sair para continuar os estudos em Campo Grande, depois com muita luta, conseguia também da 5ª série a 8ª série, bem depois, legalizou o 2º grau que era o magistério.
O prédio da prefeitura era outro, bem maior do que o de agora; a câmara municipal funcionava em uma sala pequena da Prefeitura. O primeiro prefeito foi Albino Coimbra.
O primeiro Posto de Saúde ficava onde hoje é o Bradesco; havia um cartório; o tabelião era o Srº João Avelino de Souza; uma delegacia da Receita Federal , o fiscal era Francisco Cassundé; uma repartição da Estatística.
No início da cidade não havia água encanada, tudo era no rio Aquidauana: lavar roupas, louça, tomar banho, etc. Tinha uma mina de água branquinha, que todos buscavam  água para beber e cozinhar, era na beira do rio, nos fundos da casa que era do Srº Oscar; depois tivemos água encanada que em um rego d’água do lageado, vinha por cima da terra até antes de chegar no cemitério de lá para as casas vinha encanada.
Não havia energia, usava lampião, lamparina, luz de vela, depois veio um motor para gerar energia somente até onze horas, mais tarde veio outro motor, ao havia luz a noite toda, um trabalhava até meia noite e outro até o amanhecer.
Sobre as festas tradicionais haviam duas festas religiosas: uma do Senhor Bom Jesus da Lapa, e outra de São Sebastião, totalmente diferentes das de hoje; cada uma em uma igreja, eram dez dias de festa, grandes procissões, e muitas diversões, hoje a realidade é outra tem que fazer o que melhor adequar. Também tinha festa de São João, de Santos Reis com pau de sebo, quem fazia era Gumercinda Dias, não eram festas da igreja. Tivemos também desfiles nos aniversários da cidade, as festas de formaturas de 8ª série e 2º grau;  festas para as jovens concorrerem a Miss Rochedo, eram festas muito bonitas.
A festa de São João era organizada pelo Srº Issa Nahas e Silvia, era diferente da festa junina de hoje, as mulheres e moças vestiam fantasias de tecido de chita, longo, bem bonitos, os rapazes camisas xadrez, mangas compridas, gravata e chapéu de palha; no bolso de trás da calça colocavam uma cabeça de palha de milho; todas as casas faziam uma fogueira, umas de árvore com prêmios, quando queimava, a árvore caia, todas as crianças e jovens corriam para pegar prêmios de  todos os tipos: doce de goiabada, sabonete, laranja, cana, batata e um em dinheiro; outras fogueiras eram de lenha, então todas as pessoas fantasiadas saiam da frente de um são de baile, em duas filas, homens e mulheres, dançando e cantando, acompanhados de alguns músicos, sanfona, violão, pandeiro, etc; nas ruas rodeavam todas as fogueiras, entravam nas casas das famílias, um pouco ficava para fora porque não cabiam, comiam e bebiam: bolos, doces, licor, pé de moleque, pipoca, etc; chamava de cordão na rua, terminando iam todos para o salão, saia um casamento caipira e o bailão amanhecia.

Rochedo/MS 23/06/2011.


quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Queridíssima D. Maria José..... em entrevista à TV Morena.

Relato do Srº Francisco de (Chico Catarino)

Srº Francisco de Paula Ribeiro, conhecido como Chico Catarino, veio para Distrito de Aquidauana (atual município de Rochedo) em 1960 quando tinha 4 anos de idade acompanhado de seus pais Joaquim Thomas Ribeiro e Luiza de Paula Ribeiro e seus irmãos João de Paula Ribeiro, Maria de Paula Ribeiro e Joaquim de Paula Ribeiro. Antes moravam em Jataí – Goiás. Seu pai foi comerciante em Campo Grande; seu irmão João de Paula Deputado Estadual no período da divisão do Estado de MT; e sua mãe professora aposentada.
Assim nos relatou:
As atividades consistiam nos serviços do garimpo e na agropecuária, tinham muitos garimpeiros por aqui naquela época,  pegavam muitos diamantes todo mês, e depois faziam festas para comemorar até acabar o dinheiro,  vinham até pessoas de fora para prestigiar.
Não tinha mercado apenas bolicho. Tinha um posto policial. A delegacia era perto do rio Aquidauana, não tinha cela os presos eram amarrados pelos pés com correntes, a cela foi criada depois. Não havia casas, somente ranchos. Já havia a Escola Estadual Reunidas que foi construída em 1934 - muitos alunos dessa escola se formaram (médicos, advogados e professores) -  o prédio da escola ainda existe - agora reformado.
Não havia ônibus viajavam de carro de boi... Não tinha energia elétrica, somente a luz gerada pelo  motor (das 18:00 até as 22:00).
Antes a cidade não era conhecida como cidade era como se fosse uma fazenda, também não se chamava Rochedo, era Taveira depois que houve a alteração do nome para Rochedo por causa das rochas.

Srº Francisco foi prefeito do nosso município por dois mandatos: 1983-1988 e 1993-1996. Entrou na política como vice do Srº Heliodoro Ferreira. É do período do seu mandato: regularização do loteamento já que a documentação estava irregular com relação a Cuiabá; criação do brasão e da bandeira do município; viabilizou a construção do atual Ginásio de Esportes, o início do asfalto, a rotatória na entrada do município, “o redondo” da praça onde ficava uma televisão (preto e branca), naquela época a maioria da população não tinha condições de ter TV, assim todos vinham assistir TV na praça... entre muitas outras obras que trouxe para o município o tão sonhado progresso
Srº Francisco é popularmente conhecido como Chico Catarino, recebeu esse apelido porque tinha um carro que era apelidado de Catarina.
Atualmente é casado com D. Helena Ribeiro - se conheceram em um baile, namoraram 5 anos e se casaram -  tiveram 4 filhos: Maria Luiza, Maria Helena, Junior e Maria Anjélica.
momentos da entrevista...




Srº Chico mostrando fotos históricas aos alunos


Relato da D. Siria

D. Siria nos recebeu alegremente em sua casa, e entre uma ligação no celular e os pontos do seu bordado foi contando um pouco do que se recorda do período que chegou em Rochedo.
Assim contou:
Cheguei em Rochedo aos 17 anos após ter me casado com Srº Joaquim Queiroz -  pessoa histórica do nosso (já falecido a 5 anos) – de tudo um pouco ele aqui fez: foi garimpeiro, comprador de pedras preciosas, vendedor de fazendas e até açougueiro, naquele tempo não tinha energia elétrica, assim matava a vaca e logo tinha que vender, a carne era salgada para durar mais tempo.
Nesta rua onde moro, a rua Drº Arnaldo Estevão de Figueiredo, era apenas uma “picada”, um trieiro, asa casas eram de pau a pique, havia grandes barracões onde ficavam os garimpeiros, era a rua dos garimpeiros... aqui nesta região é que iniciou o vilarejo que veio a se tornar o que temos hoje.
Ainda nesta época não tinha delegacia, nem prefeitura, os presos eram amarrados em correntes e presos em paus, ficavam dentro dos barracões; a escola que tinha era a Reunidas, aqui no fundo de casa, tem o prédio até hoje;
... não tinha energia elétrica, nem água encanada, tínhamos que pegar a água no rio... -“conheci a D. Maria José carregando água na cabeça”! – e éramos muito felizes assim, não tinha isso de precisar de médico a toda hora, era um período de muita fartura.
A festa principal era da Igreja Católica, em honra ao Senhor Bom Jesus, tinha uns  bailes muito bom, eu dançava até o raiar do dia. A Igreja que temos hoje foi construída pelo Srº  José Carrilho em ação de graças ao Bom Jesus
... não havia médico, no caso de doença tínhamos que pegar uma condução e ir para Campo Grande; não é como hoje, tudo tão rápido!!!!! Demorava dias para chegar lá, saída para Campo Grande era pela rua Joaquim Murtinho, em direção a Fazenda Federação.
Quando alguém fala que Rochedo tá ruim, digo que agora é que tá bom! Sofri muito no inicio trabalhando com meu velho no mato, cozinhava para 35 homens na região da Macaúba, depois de tempos passados é que com a venda de diamantes vim morar nesta casa aqui na rua Drº Arnaldo.
Foram tempos difíceis, mas de muita alegria e a saudade maior que tenho é do meu velho que há cinco anos se foi, com ele tive meus 15 filhos (seis já falecidos) e se for a vontade de Deus aqui pretendo ficar até meus últimos dias de vida.

Rochedo/MS 17 de Novembro de 2011.
D. Síria e Srº Joaquim (in memorian)



quinta-feira, 14 de julho de 2011

Desfile - Foto histórica

Desfile nas festividades públicas.
Um dos eventos socioculturais eram os desfiles que aconteciam nas principais festividades, tais como: 7 de setembro, aniversário do município.

Hoje neste local, está o trailer de lanches do Romildo.

CORTESIA DA FOTO: Profª Maria Ramos

Pensão da Srª Vitalina Ramos - Foto histórica

Meados de 1947. D. Maria Ramos morou nesta casa, hoje é o local onde está o prédio do Correios.

Escola Reunidas - Foto atual

Em breve imagens atuais da Escola Reunidas.  Aguardem!!!!

Escola Reunidas - Foto histórica

Professoras e alunos na frente da escola. Festividade de 7 de Setembro. Década de 70.

No centro, de terno branco, o 1º prefeito nomeado Manoel Vieira Neves. Meados de 1948.
Através destas duas fotos históricas podemos conhecer alguns aspectos de como era o município. Na primeira foto, os alunos acompanhados das professoras, entre elas de baixo para cima: Profª Valci e  Maria Ramos. E na segunda foto, vista parcial da escola, onde tem-se uma seta é a pessoa do 1º prefeito nomeado, ao fundo vemos como eram as primeiras moradias que por sinal foram bem retratadas nos relatos das pessoas que tem contribuído no blog.

CORTESIA DA FOTO: Profª Maria Ramos

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Relato da Srª Maria Ramos

Srª Maria Ramos Alves, é professora aposentada, casada com o Srº Antonio Rodrigues Alves, criou seus 5 filhos nesta terra, avó de 8 netos e  bisavó de 2 bisnetos, nos recebeu cordialmente em sua casa, e relatou alguns fatos do período em que chegou na então currutela que hoje originou o município de Rochedo

Chegou em Rochedo no ano de 1946, tinha 14 anos, morava em Rio Branco –Bahia, atual, Paratinga. Sua mãe já morava na região - tinha uma pensão no Galo Cru, tempos depois construiu a pensão aqui no município.
A maioria das pessoas que aqui viviam eram garimpeiros; o meio de transporte era um caminhão que circulava uma vez por semana; as casas eram construções de palha; a prefeitura veio surgir somente no ano de 1948; neste mesmo ano o território passou a ser município, antes era uma currutela que pertencia a Aquidauana.
No inicio não tinha prédio próprio para a prefeitura, havia o secretário do prefeito Albino Coimbra, responsável também pela documentação  - Srº Boanerges Neves- , assim quando terminava o expediente ele levava toda a documentação dentro de uma sacola para sua casa porque não era confiável dos documentos ficarem no local onde funcionava o atendimento da prefeitura. Seguia essa rotina diariamente até que depois foi construído um prédio próprio para a prefeitura.
Já tinha o correio, o responsável era o Srº Oscar Mangini; ainda não tinha a praça, era tudo gramado e aberto; o comércio era na região da rua Drº Arnaldo. Onde hoje é o correio havia uma construção, uma casa grande de zinco, onde ela residiu quando veio do Galo Cru.
Tinha o cartório, quando acontecia os casamentos o povo vinha à cavalo; tinha carroças, carro-de-boi.
Tinha uma farmácia, não tinha médicos; o primeiro posto de saúde veio a funcionar onde hoje é o Bradesco.

Relato da Srª Maria Ramos - PARTE II

Tudo era muito diferente, a juventude brincava de esconde-esconde, roda, tomavam banho no rio, onde hoje é cachoeira, na frente tinha uma praia, era o maior divertimento. No rio brincavam, assim como lavavam roupa, louças, etc. Não havia água encanada, tinha o rego d’água.
Também havia uma fartura de peixes. “Srº Hiroci gostava muito de pescar, trazia muitos peixes e dava para o povo na rua”
“Levantávamos muito cedo para ir no rio pegar água e trazíamos para colocar em tambores e assim fazia-se o barro para construir as casas”.
Outra forma de diversão era as festas tradicionais, nesta época do ano (Junho e Julho) era muito bonito, tinha várias festas de São Pedro, São João, não era como as festas juninas de hoje.  “Tão diferente, hoje vejo com tristeza que a juventude se diverte nos vícios, na bebeira... éramos muito felizes”. “Os jovens de hoje não sabem se divertir”!
E o namoro?
“Nem se compara aos dias de hoje, o namorado vinha visitar a moça em sua casa e ficavam conversando, geralmente a mãe acompanhava”! “Hoje é muito avançado!” “Hoje é o famoso ‘ficar’” .
“Outro divertimento era assistir as corridas de cavalo, ver os aviões pousar no campo de aviação”, onde hoje é a área que fica o Clube Municipal, começava ali e se estendia até quase o final da Av. Evangelina Vieira.
D. Maria Ramos trabalhou muito tempo como professora, iniciou em Baianópolis. Era diferente o ensino: de 1ª a 4ª série, todos numa única turma e funcionava! Assim nos disse: “os alunos não eram como hoje, eram obedientes e respeitavam muito os professores”. Tempos depois trabalhou na Escola Reunidas, depois houve a necessidade de construir outras salas de aula: primeiro onde antes funcionava a Exatoria (na Rua Drº Arnaldo), mais tarde o anexo da Escola Estadual (hoje do lado do pré-escola) e anos depois foi construída a atual Escola Estadual.
Ficou um período trabalhando como diretora da escola-  isso porque era uma das professoras mais antigas - até sair a nomeação do Srº Hiroci.
“Tive alunos, filhos desta terra, que se tornaram grandes homens: desembargador, engenheiro, oficiais do exército...”
Quanto ao período do garimpo assim nos disse: pegavam-se muitas pedras preciosas, e de tamanho  grande nessa região, por isso que a região atraiu muitos garimpeiros vindos de várias regiões do país, era o que movimentava o município. Com o passar do tempo as regras para o garimpo foram mudando e também já não se encontrava mais com tanta facilidade os diamantes, assim os garimpeiros foram indo embora.
Rochedo/MS 02/07/2011

Wesley, Carlos Henrique, D. Maria Ramos e Aparecida
ALUNOS RESPONSÁVEIS PELA ENTREVISTA: Weley, Carlos e Cidinha.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Momentos históricos: cultural e urbano



FOTOS: cortesia do Srº Vanderlino
Era tradição no município os desfiles que aconteciam em datas comemorativas. As escolas participavam em massa.
Por meio destas fotos também podemos perceber o processo de desenvolvimento urbano, hoje a Rua Albino Coimbra, é o ponto central do comércio de Rochedo, onde antes havia terrenos sem contruções, hoje está totalmente formado por comércios, órgãos públicos, bancos, casas residenciais.

E estas pessoas, você reconhece algumas delas?

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Relato da Srª Hiromi Sei Odacura - PARTE I

Rochedo Capital do Diamante  -  Parte I
Por Hiromi Sei Odacura
Srª Hiromi também faz parte da história do município de Rochedo, chegou nestas terras para encontrar-se com seu amor que aqui já morava. Hoje, ainda, é comerciante e Juíza de Paz do município. Gentilmente se dispôs a participar do nosso projeto, segue abaixo o relato de algumas de suas lembranças do período em que aqui chegou.
Vilarejo que foi construído pelos garimpeiros, eram pessoas que vieram da Bahia, Minas Gerais, Goiás e outros Estados, normalmente eram nordestinos.
Em Rochedo há um rio que recebe o nome de Aquidauana, que chega à cidade de Aquidauana.
No inicio da cidade, que era  apenas um vilarejo, só existia casas de barro coberta de sapé. As águas eram carregadas pelas mulheres, com balde na cabeça, até suas casas, e as roupas sujas eram lavadas no próprio rio, e já aproveitavam e tomavam banho. Nesse povoado a maioria das pessoas não sabiam escrever.
Naquela época, não havia prefeito, não era municipalizado, dependia do município de Corguinho.
Nesse período já existia a delegacia, os presos eram acorrentados nos tocos, porque não havia grades de ferro.
Tinha apenas um açougue. O abate do gado acontecia da seguinte forma: o gado era amarrado em uma árvore, tirava o couro e trazia as carnes amarradas no cambão. O gado era repartido em quatro partes, cada parte era conduzido por duas pessoas, até o local de venda. Lá havia um toco na altura de mais ou menos 1 metro, onde era cortado cada pedaço para vender.
Cito algumas pessoas fundadoras do município: Srº Alvino Leite, era garimpeiro e comissário da polícia, era uma pessoa que na chuva ou no sol não deixava de usar terno impecável, com gravata, chapéu de feltro e guarda-chuva no braço. Srº Joaquim Mirréis, era garimpeiro e trabalhava de guarda na Escola Estadual. Srº Alfredo, também garimpeiro e trabalhava na delegacia como carcereiro. Srª Evangelina Vieira, era uma senhora muito querida, que tinha uma pensão.
No decorrer do tempo construiu a prefeitura;  os tijolos eram de ciblocos, feitos por Maria Paim e seu esposo.
Também srº  Ishiwava, era uma das pessoas mais requisitadas, tinha máquina de arroz manual. A máquina era montada por ele, e tinha um comércio de vendas em geral. Para trazer as mercadorias, usava-se carro-de-boi, demorava uns 10 dias de Campo Grande a Rochedo. Logo depois, o meio de transporte era uma jardineira (era tudo aberto, não tinha portas e nem janelas), que transportava  passageiros e mercadorias. O meio de transporte dos fazendeiros  era o cavalo e o carro-de-boi, eles traziam mel, rapadura, melado, ovos, farinha de mandioca caseira e galinha caipira com pena e tudo, trazia também carne seca.
Para chegar até aqui no vilarejo eles traziam matulas (farofas, etc). As pontes eram chamadas de pinguelas e os vilarejos eles chamavam de currutelas e também falavam que iam fazer compras nos butecos.
Desde aqueles tempos havia a festa da igreja, que eram dez dias de festa. Estas festas eram em beneficio da Igreja Católica, tinha leilões de gado, bezerros, porcos e as prendas que os festeiros arrecadavam de toda região, a comunidade de Rochedo era muito unida! Essa festa era esperada durante o ano inteiro, e quando chegava o dia era muita alegria, todas as pessoas tinham brilho nos olhos e sorriso no rosto, notava-se que esta alegria era do coração.
No mesmo tempo tinha corrida de cavalo, onde se reuniam todos os municípios, muitas pessoas que tem poder aquisitivo vinham assistir esta competição, vinham de avião o “teco-teco”. Quando pousava o avião uma imensidão de crianças gritavam, erguiam os braços, esperando balas e suspiros que eles traziam.
O padre que realizava as missas era o Frei Otávio, ele foi o pai da comunidade.
A diversão tanto das crianças como dos adultos eram nadar no rio Aquidauana e dos festejos da igreja.
Naquela época já era típico da região tomar tereré, chimarrão Santo Antônio. As pessoas comiam arroz, feijão, macarrão, peixe e farofa.
Quando falecia alguém Srº Alvino e seus companheiros faziam caixões com tábuas e forravam com mortálias e sepultavam diretamente na terra de “sete palmos”.
Quando era para nascer as crianças tinham as parteiras, por exemplo, D. Benedita, pois, não tinha hospital, nem enfermeiros, os partos aconteciam em casa mesmo e as crianças nasciam muito saudáveis.
Muitas vezes para visitar os amigos nas chácaras, tinham que abrir vários colchetes para chegar nas casas.
Havia muitos benzedores, curandeiros e sortistas.
Para comunicar com outras cidades era apenas por carta.
Naquela época a cidade era mais mato, portanto, aparecia cobra, veado, tamanduá, tatu, etc.

Relato da Srª Hiromi - PARTE II

Segundo histórias das famílias mais antigas, existem tesouros enterrados por garimpeiros em alguns locais que nós não sabemos localizar. Dizem que haviam fenômenos de clarão, um arrepio no corpo, que os espíritos mandavam avisos, vozes, etc. E também quantas histórias verídicas existem em Rochedo.
Para fazer uso do garimpo, eles cavavam a terra, que chegava até 10 metros de profundidade, levava essas terras da beira do rio, estas terras eram lavadas no rio com bateias (5 peneiras grandes, médias e pequenas). Muitas vezes trabalhavam meses e meses para encontrar uma pedra preciosa e às vezes em uma lavada só encontrava-se pedra do tamanho que pesava kilates, que era muito valoroso. Quando acontecia, os diamantes eram guardados no picuá, eles gritavam: “gente eu bamburrei !!!!” , isto é, que encontrou um enorme diamante. Outras vezes garimpavam dentro da água.
Naquela época não existia farmácia, então, alguns garimpeiros sábios faziam remédios caseiros. Até hoje ainda vive alguns garimpeiros como o Srº Vanderlino,  Srº Novinho, Srº Murilo que lembram do passado e contam histórias.
Voltando para trás, os garimpeiros saiam muito cedo de casa, levando matulas, farofa de carne seca e rapadura, e as águas para beber eram carregadas em purungas; levavam um pedaço de fumo para naquear e cuspir, e ainda faziam um cigarro de palha de milho, acendia e soltava aquela fumaça como se fosse trem de Maria fumaça. E também as casas dos garimpeiros eram feitas de pau-a-pique e os colchões eram de palha ou de sapé. Portanto, quem tinha dinheiro guardava embaixo do colchão dentro do bornal.
Naquela época já existia muitos insetos, aí eles buscavam estrumes seco de gado na fazenda do Srº Enéias Belo, e queimava para espantá-los.
Os calçados eram feitos de couro de boi, as cobertas eram feitas de pêlo de carneiro.
Eles eram muito unidos, às vezes fazia uma roda de amigos e faziam uma fogueira no meio e ali cantavam, tocavam violão e sanfona, contavam muitas anedotas, uns casos verídicos e outros não, e sempre falavam das “quengas”, que sempre existiu.
Antigamente o campo de futebol -  cercado de arame farpado e muito capim -  era na atual praça, e já naquela época existia o pé de ingá, tinha uma capela onde se realizava batizados e casamentos.

Eis algumas pessoas que vivenciaram alguns desses momentos passados: Srº Vanderlino Moura, tem a sabedoria da cura por meio das ervas medicinais; D. Maria Ramos, professora aposentada; Helena T. Gomes, funcionária aposentada da Exatoria; D. Maria José, popularmente conhecida como “Maria Sem Troco”; D. Julia Lelis, mulher do ex-prefeito Antenor; D. Valci Souza Marques, foi professora e diretora de escola; D. Noemia Almeida , mulher do ex-prefeito Heleodoro Almeida.
No decorrer do tempo a evolução da cidade foi grande, hoje há várias igrejas evangélicas, uma católica; 22 sobradinhos, Detran, Iagro, Exatoria (Agenfa), posto de saúde, clínica, escola estadual e municipal, ginásio de esportes, prefeitura nova, câmara municipal, cartório, asilo para os idosos, ciber, escritório de contabilidade, vários açougues, hotéis, mercados, farmácia, casa veterinária, oficina mecânica, sorveterias, vidraçaria, ótica, piscinas, clínica dentária, Cooperativa SICREDI, Bradesco, Correios, frigorífico que emprega muitas pessoas; na zona rural: granjas, ordenha de leite, fábricas de doce, mussarela, produtos artesanal, areieiros, etc.
E hoje de Rochedo a Campo Grande gastamos em torno de 50 minutos nos veículos, ônibus e vans.
E até para fazer faculdade ficou muito mais fácil, pois, o ônibus da prefeitura leva os acadêmicos até Campo Grande.
Com a tecnologia o meio de comunicação se ampliou, hoje temos internet, celular, telefone fixo, etc.
Nossa cidade a cada dia se amplia e evolui seguindo os passos da modernidade.
Carinhosamente,
Hiromi Sei Odacura
Rochedo/MS 27/05/2011

RESPONSÁVEL PELA ENTREVISTA: Dudu e Vagner

Momentos da entrevista com a Srª Hiromi






Srª Hiromi explicando para os alunos como se pesava uma pedra preciosa.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Relato do Srº Arlindo Rodrigues (Chimite)

Srº Arlindo Rodrigues dos Santos, conhecido como Chimite, chegou em Rochedo em 1960, segundo ele: “aqui tudo era mato”; passou um tempo o Srº Antenor ganhou para prefeito e foi abrindo as ruas, porque antes tudo era apenas trieiros.
O único comércio que tinha era um armazém (do Srº Hiroci Odacura, marido da D. Hiromi), havia uma olaria perto do cemitério, tinha a cadeia, uma igrejinha na praça, uma escola – D. Valci e Maria Ramos já davam aula naquela época.
Vinham muitos garimpeiros de outras regiões para garimpar e achavam pedras preciosas com muita abundância.
Na beira do rio Aquidauana tinha três barracões de zonas de mulheres que vinham de Campo Grande, quando um garimpeiro pegava uma pedra iam comemorar com elas;  acontecia também muitas mortes!
Tinha um farmacêutico que cuidava da saúde das pessoas do ‘patrimônio’.
Nesse período chovia muito, era uma tristeza!Era só barro! Levava uns três dias para chegar em Campo Grande de jardineira (veículo que fazia o transporte das pessoas).
As mercadorias vinham de carro-de-boi.  Não havia energia elétrica, com o passar do tempo foi colocado um motor para gerar energia. Não existia a ponte, era apenas pinguelas - a pinguela passava na porta da residência do Srº Eneías! Com muito custo foi construída a ponte.
O tempo passou, o patrimônio cresceu, hoje temos escolas paras as crianças, temos bons mercados, açougues, posto de saúde e vários outros comércios e órgãos públicos. Tudo é facilidade e o povo ainda reclama!!!

RESPONSÁVEL PELO RELATO: Nerilvane Ferreira

Relato da Srª Valci


Dona Valci, professora aposentada, gentilmente no recebeu e se dispôs em escrever um pouco do que, segundo suas lembranças, era o municipio de Rochedo quando aqui chegou.
Eu, Valci de Souza Marques vou contar sobre o nosso município quarenta e nove anos atrás data em que me casei e vim morar aqui.
Era um lugar com poucos moradores, podia contar quantas pessoas  existiam aqui. Já melhorou muito! O que existia eram pequenas casas sem nenhum conforto. Já naquela época uma das atrações era o rio  Aquidauana, era uma fartura de peixes!
Tinha uma pequena igrejinha onde reunia os fiéis que iam reza o terço. Não tinha padre vinha quase de ano em ano. Havia um posto de saúde , os médicos vinham de Campo Grande. Existia a delegacia, onde meu falecido marido trabalhava, quando não tinha delegado ele respondia pelo cargo. Tinha a Prefeitura, a Escola Estadual, o Correio, o Cartório; existia alguma casa de comércio, tudo muito simples. Só um comerciante tinha geladeira, que era o japonês Yamashita Yutaca. O meio de comunicação era o rádio, não tinha televisão, telefone. Agora já temos tudo isso e outras coisas a mais, como computador, celular, etc. O açougue funcionava uma vez por semana. A Escola Estadual de primeira a quarta série era composta assim: na direção Srº Afonso de Araújo Passos, e o corpo docente: Srª Morena esposa do diretor, Srª Maria Alves Ramos, Elza Abadia de Oliveira, Valdelice de Oliveira, Laura Odakura e eu.
O primeiro clube recreativo foi construído com nossos esforços e iniciativa de meu marido Zacarias de Souza Marques. Programava os bailes com leilões com a ajuda de todos os professores; arrecadávamos as prendas para angariar fundos para a construção do clube.
Os moradores contribuíam com tudo. Na época das políticas os candidatos vinham fazer a campanha eleitoral e davam sempre uma contribuição para ajudar na construção do clube.
Naquela época não existia luz elétrica, nem água encanada. Para lavar roupa, louça, tomar banho, tinha que ser no rio. Para dar aula à noite tinha um motor gerador que fornecia a luz.
As festas do padroeiro da cidade que era o Senhor Bom Jesus da Lapa, os festejos eram de ano em ano, nove noites de festas seguido de bailes e leilões; cada noite tinha um representante, era bem animada, na última noite era oferecido um grande churrasco, tudo de graça! Tinha também candidatas a rainha, à meia noite havia a coroação das rainhas. Todas procuravam ir bem arrumadas, bem vestidas; era muito bom.
Os fazendeiros colaboravam bastante, doavam sacas de arroz, bezerros, porcos, carneiro e frangos. Era muito movimentado. Tinha as barraquinhas onde vendiam de tudo: roupas, sapatos, salgados, bebidas, etc.
A nossa cidade está mudando quase todos os dias, já existem  muitas casas bonitas. Temos mercados, padarias, várias igrejas cristãs, temos um frigorífico que oferece emprego para muitas pessoas.
Espero que melhore cada vez mais.
Valci de Souza Marques
Rochedo/MS 07/06/2011.
D.Valci com os alunos Carlos Henrique, Wesley e Cidinha.

Relato do Srº Vanderlino



Srº Vanderlino de Souza Moura, 90 anos, hoje aposentado, viúvo, pai de seis filhos – cinco mulheres e um falecido – e  4 netos;  chegou em Rochedo em 1945.
No dia 18 de Junho de Dois Mil e Onze, num sábado ensolarado,  nos recebeu carinhosamente em sua casa e relatou saudosamente alguns dos momentos vividos em nosso município quando aqui chegou. Segue abaixo um resumo das suas lembranças de memória:
Sr. Vanderlino de Souza Moura chegou em Rochedo em 1945, vindo do Estado do Amazonas onde trabalhava na extração da borracha, (se preparava para ir para a guerra, porém ,não deu certo) depois foi para  Cuiabá ficando um tempo trabalhando em um frigorífico (atravessando boi pelo rio), tempos depois foi trabalhar como “camelo” – pessoa que realiza carga e descarga de produtos -  em Aquidauna na estrada de ferro, depois foi para Campo Grande, Rochedinho e então soube do garimpo em Rochedo e logo veio para cá ; ele veio andando a pé , saiu cedinho e chegou aqui no fim da tarde (uma pessoa se ofereceu para trazê-lo cobrando 15 mil réis, ele não tinha esse dinheiro).
Relatou que chovia muito na região, havia apenas casas de palhas. Tinha a casa do Srº Afonso, uma máquina de arroz; onde o Srº Osvaldo mora era de um japonês que tinha um comércio e na esquina era a delegacia. Esse japonês tinha uns 30 meia-praça (garimpeiros).
“As casas eram de palhas, e na região havia algumas plantações de arroz, que eram mandados para outras cidades num caminhão, existia aqui uma máquina de arroz também. Quando cheguei aqui não tinha onde ficar, consegui abrigo na casa das “Primas’’, onde era um barraco-zona, onde hoje é a casa da Dona Noemia” . – relatou Srº Vanderlino.
A maioria das terras que hoje forma o município era do Coronel Quito, ele dava os terrenos para os garimpeiros poderem construir suas casas ou barracos.
Onde hoje é sua residência havia um rego d’água que começava do frigorífico, passava pelo córrego do lajeado até chegar no vilarejo, era onde lavavam as roupas, e usavam a água para beber e cozinhar, não havia água encanada.
Disse que antigamente era difícil ver uma pessoa doente, e que hoje as pessoas ficam doentes facilmente; não existia médico , apenas farmacêutico (Srº Zé Amâncio); quando uma pessoa ficava doente quem fazia às vezes de médico era o Srº  Afonso, que também era diretor  e professor na  escola. A escola estadual era a Reunidas, cujo prédio tem até hoje, fica próximo a cachoeira;
Naquela época uma vaca gorda valia 2500 mil réis, havia também muita fartura de peixes, escutavam-se de longe os cardumes batendo. Tinha várias lavouras de arroz, todo mundo plantava arroz naquela época, como a D. Dina mãe do Bidiel que tinha roça de arroz. As mulheres também garimpavam.
Antigamente a população era maior aqui - disse ele,  por ter diamantes havia muitas pessoas de fora , muitos carros e movimento na cidade.
 Na praça, tinha uma igrejinha e uma casa em baixo do pé de ingá ( até hoje ele está ali ), nesta casa morava o Srº Joaquim preto, ainda não existia  a praça.
Disse –nos que  Koró já morava já  aqui e sempre o chamava para ir até Campo Grande, mais era muito dificultoso por conta das chuvas, nos relatou que tinham de ir com pouca roupa (de cueca) porque tinha muito barro e demorava uns 10 dias para chegar lá .
Como não conseguia pegar uma pedra de grande valor Srº Vanderlino, passou a trabalhar na Fazenda do Srº Enéias, onde, tempos mais tarde conheceu sua falecida esposa D. Socorro. A conheceu e ficou namorando-a por mais ou menos dois anos em segredo, para depois se declarar a ela. Quando perguntando por ela porque demorou tanto tempo para procurá-la, segundo ele, assim respondeu: que a estava cuidando para ver se não daria confiança a outro homem.
Disse-nos que desse período, o que mais sentia era saudade de sua família que estava em Minas, e que somente após vinte anos mais tarde pôde reencontrar seus irmãos.

ALUNAS RESPONSÁVEIS PELA ENTREVISTA: Katcilaine e Leide.