Com a morte da minha mãe tive que me ausentar por um tempo. Quando retornei achei tudo muito mudado. As festas não eram mais no barracão de chão batido, passaram a ser realizadas no Clube onde hoje funciona a creche. Estudei até o terceiro ano (hoje 3ª serie) na antiga Escola Reunidas, o 4º ano fiz no colégio “amarelo” como era chamada a Escola Albino Coimbra. O diretor era seu Iroci Odacura, marido da Dona Iromi, era durão e quando organizava os desfiles falava uma vez só. Quem errasse já sabia que a bronca era em público. As comemorações da escola eram grandes eventos. Tinha teatro, fanfarra que comandava o desfile do dia 7 de setembro, o Grêmio Estudantil era muito ativo e as disputas eram verdadeiras campanhas eleitorais dentro da escola. Os candidatos iam pedir votos nas salas com propostas que tinham como objetivo convencer o eleitorado estudantil. Sempre fiz parte é claro.
A festa do Santo Padroeiro que acontece no dia 06 de agosto, naquela época permanecia por dez dias consecutivos. Para quem passava o ano naquela pasmaceira era um verdadeiro Rock in Rio de Rochedo, um Rock in Rochedo. As moças desfilavam os modelitos e o namoro era sempre pressagio de casamentos. Os leilões de galinha e porco assados eram intermináveis, o povo comia ali mesmo e ninguém se importava com nada. Perfume da Natura não circulava na época. Em dias normais a energia elétrica era apenas das seis da tarde às dez e meia da noite. Nem um minuto a mais. Quem estudava à noite tinha que apressar o passo senão chegava em casa no escuro e tinha que ir tateando até encontrar um lamparina. Nos dias de festa a energia ia até o horário do término da festa. Creio que era no máximo três da manhã. Sempre começava às vinte horas.O gostoso era comprar suspiro colorido no bar da Maria sem Troco. Aqueles que tinham umas bolinhas coloridinhas em cima. Era como os Skines de hoje em dia.
Quem terminava o antigo ginásio aqui ficava sonhando em ir para Campo Grande fazer o segundo grau e faculdade. Nas férias os mais velhos que já estavam na capital vinham pra Rochedo e era uma festa. Passávamos o tempo todo tomando banho de rio, fazendo serenatas e andando por essas fazendas. Nesse meio estavam os Professores Ataidinho e Rosa Helenita, João Teixeira e outros. Vinha também o cantor Béko Santanegra e era ele quem ficava cantando na praça que na época era um gramado lindo.
As mudanças são invitáveis, mas as lembranças são a história. Talvez eu permanecesse por longas horas rememorando cada minuto desse tempo que para mim foi maravilhoso, mas isso fica para um livro...quem sabe.
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