Rochedo Capital do Diamante - Parte I
Por Hiromi Sei Odacura
Srª Hiromi também faz parte da história do município de Rochedo, chegou nestas terras para encontrar-se com seu amor que aqui já morava. Hoje, ainda, é comerciante e Juíza de Paz do município. Gentilmente se dispôs a participar do nosso projeto, segue abaixo o relato de algumas de suas lembranças do período em que aqui chegou.
Vilarejo que foi construído pelos garimpeiros, eram pessoas que vieram da Bahia, Minas Gerais, Goiás e outros Estados, normalmente eram nordestinos.
Em Rochedo há um rio que recebe o nome de Aquidauana, que chega à cidade de Aquidauana.
No inicio da cidade, que era apenas um vilarejo, só existia casas de barro coberta de sapé. As águas eram carregadas pelas mulheres, com balde na cabeça, até suas casas, e as roupas sujas eram lavadas no próprio rio, e já aproveitavam e tomavam banho. Nesse povoado a maioria das pessoas não sabiam escrever.
Naquela época, não havia prefeito, não era municipalizado, dependia do município de Corguinho.
Nesse período já existia a delegacia, os presos eram acorrentados nos tocos, porque não havia grades de ferro.
Tinha apenas um açougue. O abate do gado acontecia da seguinte forma: o gado era amarrado em uma árvore, tirava o couro e trazia as carnes amarradas no cambão. O gado era repartido em quatro partes, cada parte era conduzido por duas pessoas, até o local de venda. Lá havia um toco na altura de mais ou menos 1 metro, onde era cortado cada pedaço para vender.
Cito algumas pessoas fundadoras do município: Srº Alvino Leite, era garimpeiro e comissário da polícia, era uma pessoa que na chuva ou no sol não deixava de usar terno impecável, com gravata, chapéu de feltro e guarda-chuva no braço. Srº Joaquim Mirréis, era garimpeiro e trabalhava de guarda na Escola Estadual. Srº Alfredo, também garimpeiro e trabalhava na delegacia como carcereiro. Srª Evangelina Vieira, era uma senhora muito querida, que tinha uma pensão.
No decorrer do tempo construiu a prefeitura; os tijolos eram de ciblocos, feitos por Maria Paim e seu esposo.
Também srº Ishiwava, era uma das pessoas mais requisitadas, tinha máquina de arroz manual. A máquina era montada por ele, e tinha um comércio de vendas em geral. Para trazer as mercadorias, usava-se carro-de-boi, demorava uns 10 dias de Campo Grande a Rochedo. Logo depois, o meio de transporte era uma jardineira (era tudo aberto, não tinha portas e nem janelas), que transportava passageiros e mercadorias. O meio de transporte dos fazendeiros era o cavalo e o carro-de-boi, eles traziam mel, rapadura, melado, ovos, farinha de mandioca caseira e galinha caipira com pena e tudo, trazia também carne seca.
Para chegar até aqui no vilarejo eles traziam matulas (farofas, etc). As pontes eram chamadas de pinguelas e os vilarejos eles chamavam de currutelas e também falavam que iam fazer compras nos butecos.
Desde aqueles tempos havia a festa da igreja, que eram dez dias de festa. Estas festas eram em beneficio da Igreja Católica, tinha leilões de gado, bezerros, porcos e as prendas que os festeiros arrecadavam de toda região, a comunidade de Rochedo era muito unida! Essa festa era esperada durante o ano inteiro, e quando chegava o dia era muita alegria, todas as pessoas tinham brilho nos olhos e sorriso no rosto, notava-se que esta alegria era do coração.
No mesmo tempo tinha corrida de cavalo, onde se reuniam todos os municípios, muitas pessoas que tem poder aquisitivo vinham assistir esta competição, vinham de avião o “teco-teco”. Quando pousava o avião uma imensidão de crianças gritavam, erguiam os braços, esperando balas e suspiros que eles traziam.
O padre que realizava as missas era o Frei Otávio, ele foi o pai da comunidade.
A diversão tanto das crianças como dos adultos eram nadar no rio Aquidauana e dos festejos da igreja.
Naquela época já era típico da região tomar tereré, chimarrão Santo Antônio. As pessoas comiam arroz, feijão, macarrão, peixe e farofa.
Quando falecia alguém Srº Alvino e seus companheiros faziam caixões com tábuas e forravam com mortálias e sepultavam diretamente na terra de “sete palmos”.
Quando era para nascer as crianças tinham as parteiras, por exemplo, D. Benedita, pois, não tinha hospital, nem enfermeiros, os partos aconteciam em casa mesmo e as crianças nasciam muito saudáveis.
Muitas vezes para visitar os amigos nas chácaras, tinham que abrir vários colchetes para chegar nas casas.
Havia muitos benzedores, curandeiros e sortistas.
Para comunicar com outras cidades era apenas por carta.
Naquela época a cidade era mais mato, portanto, aparecia cobra, veado, tamanduá, tatu, etc.